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23/02/2016

Seguro de vida é sucesso nos EUA e Europa, mas serve para você?


(SÃO PAULO) – Os seguros de vida são um grande sucesso em países desenvolvidos como os EUA, o Japão e a maior parte da Europa, mas ainda têm baixíssima penetração no Brasil. Segundo um estudo da seguradora Swiss Re, os prêmios dos seguros de vida somam 9,5% do PIB nos EUA e apenas 1,4% no Brasil. O sucesso nos países desenvolvidos é explicado pelo elevado imposto sobre heranças cobrado pelos governos. Como os seguros de vida não fazem parte do patrimônio pessoal, não são taxados com o imposto sobre heranças e não entram no inventário, acabaram se tornando uma importante ferramenta de planejamento sucessório em países como os EUA.

No Brasil, o imposto sobre heranças é baixo – na maioria dos Estados equivale a 4% do patrimônio. Mas não é por esse motivo que o seguro de vida não tem sua utilidade. Há dois tipos de perfis de consumidor para quem o produto é especialmente indicado. O mais tradicional é para o chefe de família jovem, com dependentes e que ainda não acumulou patrimônio suficiente para que eles tenham uma vida confortável caso venha a falecer. Por exemplo, imagine um brasileiro com 32 anos de idade, renda de R$ 15.000, mulher dona-de-casa, um filho de 4 anos e outro de 2 anos, que, até agora, conseguiu juntar um patrimônio de R$ 200.000. Caso esse chefe de família venha a faltar, as reservas acumuladas rapidamente vão se esvair e não serão suficientes para sustentar a família até que os filhos estejam prontos para ingressar no mercado de trabalho e pagar as próprias contas, certo? Então seria interessante que o pai contratasse, por exemplo, um seguro de vida com cobertura de R$ 500.000 em caso de óbito porque esse dinheiro daria mais conforto à família até que ela conseguisse se reestruturar.

Já o segundo público do produto é a pessoa que tem um patrimônio bastante elevado, mas que está muito concentrado em participações de empresas, imóveis ou outros ativos sem liquidez. Nesse caso, mesmo que se trate de alguém com dezenas de milhões de reais de patrimônio, caso ele venha a falecer, a família precisará de dinheiro enquanto aguarda a constituição do inventário e a decisão sobre a partilha dos bens, mas pode não ter de onde resgatar recursos para isso. Muitas famílias costumam usar produtos de aposentadoria como VGBL e PGBL para esse fim, já que, assim como os seguros de vida, na maior parte dos Estados o dinheiro depositado em previdência também não entra em inventário e não está sujeito ao pagamento do ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis ou Doação), que tem alíquota de 4% em quase todo o Brasil. Mas há três diferenças importantes em relação à escolha de seguro de vida ou produto de previdência: 1) se quer deixar R$ 1.000.000 com liquidez para a família, o titular do seguro não precisa empatar R$ 1.000.000 como no PGBL e VGBL; 2) o seguro oferece uma proteção alavancada, já que é possível contribuir com R$ 50.000 no primeiro ano, por exemplo, para já ter uma proteção de R$ 1.000.000; e 3) à medida que o tempo passa, o produto de previdência vai se tornando gradualmente mais interessante porque o total de aportes do seguro de vida vai aumentando (a vantagem da alavancagem diminui) ao mesmo tempo em que a rentabilidade começa a beneficiar mais a previdência (afinal, esse é um investimento, e não um seguro).

Se você acredita que o seguro de vida é uma boa opção para você, deve estar se perguntando qual seguradora oferece o melhor produto. Pessoalmente não gosto dos produtos mais vendidos do mercado porque o cliente corre o risco de pagar durante muitos anos e não receber a indenização em caso de sinistro. Isso porque a legislação permite que a seguradora não pague a indenização do seguro de vida se o risco do cliente tiver uma alteração importante e a empresa não for avisada. Uma pessoa que contratou um seguro de vida e tiver câncer precisa avisar a seguradora. Como a renovação dos seguros vendidos nos bancos costuma ser anual, a seguradora poderá elevar muito o valor a ser pago pelo cliente em troca da manutenção da cobertura na época da renovação ou até mesmo se recusar a renovar o contrato. Já se o cliente não avisar que tem câncer, morrer três anos depois por causa de outra doença e a seguradora descobrir que não foi avisada sobre o aumento do risco, poderá se recusar a pagar a indenização porque a omissão desse dado não lhe permitiu fazer o cálculo correto do risco e do valor que o cliente deveria pagar mensalmente. Outro problema dos seguros vendidos nos bancos é o reenquadramento etário, que pode levar a um encarecimento acentuado da apólice à medida que o cliente envelhece. Quando você chegar a 60 anos, seu seguro pode estar tão caro que você mesmo vai optar por cancelá-lo porque não terá mais condições de pagá-lo.

Por esses motivos, prefiro os produtos de seguradoras como Prudential, Mongeral Aegon e Mapfre, que possuem algumas vantagens. A primeira delas é que o seguro é vitalício. A seguradora renuncia ao direito a cancelar a apólice. A não ser que o fluxo de pagamentos previsto não seja honrado pelo cliente, a seguradora não terá o direito de não renovar o contrato. O cliente pode, por exemplo, pagar por 10 ou 20 anos pela cobertura que seus beneficiários terão garantido o direito à indenização – não importa o tempo que demore para a pessoa falecer. Os seguros dessas três empresas também não possuem reenquadramento etário. As parcelas e o valor das coberturas vão sendo corrigidos apenas de acordo com o IPCA e não sobem acentuadamente à medida que o cliente envelhece.

As apólices mais vendidas são resgatáveis. Se a pessoa tiver comprado um seguro com aportes previstos durante 10 anos, poderá resgatar parte do dinheiro das contribuições a qualquer momento e, no caso do produto da Prudential, após o nono ano seguido de aportes, já poderá resgatar um valor nominal superior ao que foi aplicado. Outra vantagem é que essas seguradoras fazem exames médicos antes de aprovar a contratação do seguro de vida. Então o interessado será submetido a exames de sangue e urina, pode ter de passar por outros procedimentos como um eletrocardiograma e fará uma entrevista sobre o histórico de doenças. Se a seguradora aprovar a concessão da apólice e receber a primeira mensalidade do seguro, não poderá mais contestar o pagamento da indenização no futuro a não ser que consiga provar que o cliente mentiu sobre alguma doença pré-existente. As apólices ainda podem prever coberturas por invalidez permanente, doenças graves ou incapacidade temporária de trabalho – é logico que quanto mais coberturas houver, maior será o pagamento anual a ser feito pelo cliente.

Mas quanto custa um seguro como esse? Considero que o produto não é barato. O valor vai depender de sua idade, montante da indenização que sua família receberá, sexo, inflação medida pelo IPCA e periodicidade de seus aportes. Mas um seguro de vida de R$ 1.000.000, por exemplo, vai custar algo em torno de R$ 400.000 pagos ao longo de 10 anos na modalidade resgatável. Nesse caso, nos dois primeiros anos de contribuição não é possível resgatar nada. A partir do terceiro ano, o segurado consegue resgatar uma parte, e, a partir do nono ano, o valor resgatado já vai superar o todo o montante pago ao longo do período.



Fonte: Site Infomoney